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Entrevista ao Miguel Raimundo aka firedrops
Artigos - Entrevistas
Quarta, 10 Março 2010 15:47
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Uma das entrevistas que sempre quisemos fazer no androidPT foi a alguém que mexesse e manipulasse ROMs tal como fazem o Cyanogen ou Haykuro. Apesar de algumas tentativas de contacto sem sucesso para realizar estas entrevistas, acabámos por juntar o útil ao agradável. Uma entrevista a um developer de ROMs e ainda por cima português.

 

Queremos agradecer a disponibilidade do Miguel Raimundo aka firedrops para responder às perguntas desta entrevista e dar-se a conhecer aos leitores do androidPT. Esperamos que gostem.

 

andPT: Em primeiro lugar podes apresentar-te falando um pouco de ti para te darmos a conhecer aos nossos leitores. Quem é o Miguel AKA firedrops?

 

Bem, tenho 19 anos e sou estudante de Medicina em Coimbra. Contudo, sempre tive um enorme gosto pela informática em geral, pelo que a medicina e a informática são as minhas duas grandes paixões académicas, que tento conciliar tanto quanto possível. Naturalmente, sempre fui um tolinho por gadgets; vagueei muitos anos pelo infame Windows Mobile, até que um dia apareceu esse miúdo fixe que é o Android. Apercebi-me imediatamente que tinha que ter um, por toda a filosofia que o inspira e pela qualidade intrínseca do sistema.

 

andPT: O que te levou a criar a Bola de Berlim?

 

A Bola de Berlim existiu praticamente desde o primeiro dia que tive o meu HTC Dream. De certa forma consistiu em exportar para terceiros todo o trabalho de pesquisa pelas melhores ROMs, pela feature X ou Y, as melhores aplicações, temas, configurações e outras pequenas alterações que eu próprio implementei. Um dia apercebi-me que tinha amealhado um conjunto de modificações que devidamente empacotadas, poderia proporcionar ao utilizador comum uma maneira simples de ter o state-of-the-art do Android, mantendo sempre a estabilidade e coerência estética necessárias a um ROM de uso diário.

 

 

andPT: Foi complicado compilares/criares a Bola de Berlim?

 

Pelo que acabei de explicar, foi um processo muito natural. Embora já o tenha feito, com intuito mais pedagógico que outra coisa, o kernel da Bola de Berlim não foi compilado por mim. As razões são simples, não considero que ao fazê-lo trouxesse alguma mais-valia para o utilizador em geral quando existem excelentes developers na comunidade, infinitamente mais capazes do que eu. Não vejo necessidade em reinventar a roda. O meu contributo foi num nível mais alto do sistema, algo que podem consultar em maior detalhe no changelog da Bola de Berlim. É essencial dar crédito onde este é devido, nunca esquecendo que por trás da BB ou da maioria das ROMs estão os colossos do Android Development, como o inevitável Cyanogen, o JF, Haykuro, entre muitos outros nomes.

 

Feito este aparte, que considero importante, e respondendo à pergunta, não acho que tenha sido difícil. É a súmula dum processo contínuo de aprendizagem; tendo alguns conhecimentos de base até acho algo bastante fácil de fazer. Senão o achasse (e não me divertisse a fazê-lo), não me metia nisto.

 

andPT: É necessário algum tipo de conhecimento específico que consideres importante para a criação de ROMs? Ter conhecimento Linux é uma mais-valia?

 

Depende muito do nível a que queres interagir e quão fundo queres modificar o sistema. Naturalmente o conhecimento de GNU/Linux pode ser transposto para o Android e é uma mais-valia para perceberes a orgânica do sistema e a maneira como os diferentes componentes interagem. Quanto mais souberes, mais podes mexer. Se souberes ler e tiveres um editor de plain text à mão, já podes fazer muita coisa.

 

andPT: No teu ponto de vista, quais são os pontos fortes da Bola de Berlim?

 

Velocidade. Estabilidade. Coerência estética. São os pontos que mais valorizo numa ROM e que naturalmente se reflectiram na BB. É uma ROM que out-of-the-box proporciona uma experiência completa e agradável, pronta a usar. Cobre a maioria das necessidades do utilizador comum português, poupando-lhe como disse atrás muito trabalho de customização e pesquisa. Por outro lado, através do androidPT, é possível de certa forma ‘evangelizar’ um pouco esta área do desenvolvimento de ROMs junto da comunidade de utilizadores menos conhecedores, além de conseguir prestar suporte directo e de uma forma mais intimista pela pequena escala do projecto.

 

andPT: Como é a relação como os utilizadores da tua ROM? São exigentes, fazendo pedidos de novas funcionalidades?

 

O utilizador mais exigente sou eu. Sou um perfeccionista com traços de compulsivo. A troca de impressões com a comunidade tem sido muito saudável e estimulante. As funcionalidades que eles possam pedir são, na maioria das vezes, coisas em que me revejo também. Não há motivo para que não possamos ter a ROM dos ‘nossos sonhos’, feita à nossa medida e necessidades. Se eu puder ajudar fico feliz por isso.

 

 

andPT: Depois da Bola de Berlim que podemos esperar? Algum projecto na manga?

 

Naturalmente progredir para o Eclair quando o pó tiver assentado, uma vez que neste momento ainda não acho que tenha atingido a mesma qualidade de utilização que, por exemplo, o Donut proporciona (no HTC Dream e Magic 32A/B bem entendido). Com o expectável lançamento de 2.1 oficial num futuro próximo (que resolve todos os problemas de drivers e afins que assombra as ROMs 2.1 actuais), é algo que já não deve demorar muito tempo.

 

Paralelamente, envolver mais a comunidade, escrever alguns tutoriais e quiçá, à medida que as pessoas se interessarem criar uma meta ROM que partilhe princípios, branding e funcionalidade global para outros aparelhos além dos acima referidos. Não é algo que queira fazer sozinho ou pelo qual queira ser responsável mas acho que dava um excelente projecto para a comunidade. Fica a ideia.

andPT: Agradeço o tempo que disponibilizaste para esta entrevista. Gostarias de deixar alguma mensagem aos utilizadores do androidPT?

O prazer foi meu! Aos leitores deixo apenas o repto que todos eles podem contribuir para a melhoria e sucesso do Android, sendo essa a beleza do sistema. Mais que qualquer outro sistema operativo móvel, o Android proporciona uma experiência muito pessoal de utilização, onde o telemóvel se adapta às tuas necessidades, e ao mesmo tempo social, pela brilhante comunidade que a ele vem associado. Por fim não podia deixar de congratular o androidPT pela fantástica dinâmica que incutiram na comunidade portuguesa de Android.

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