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Entrevista a Ricardo Cerqueira - programador na CyanogenMod

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androidPT: Já referiste que o que te levou a procurar perceber o sistema operativo Android e a desenvolver para a plataforma foi porque estavas à procura de algo para passar o tempo e que não fosse aborrecido. Desde a altura das primeiras versões Android já se passou algum tempo, e ao longo deste período tens vindo a contribuir com regularidade; a motivação inicial ainda se mantém ou sentes que agora existem outros factores que servem igualmente de motivação para a tua participação?

Ricardo: Ainda é muito por aí. Cada versão nova de Android aparece com "puzzles" novos para resolver... e alguns dispositivos ainda dão luta. Com a quantidade de hardware que me continua a cair nas mãos, há sempre qualquer coisa nova com que me divertir; e enquanto isto continuar a satisfazer-me como hobby, vou ficando por aqui. :)


androidPT: Tendo em mente as dificuldades em suportar novas versões de Android em diferentes terminais, qual a tua opinião sobre o rumo que a plataforma tem tomado e qual a tua previsão para futuras versões da plataforma nesse ponto?

Ricardo: Um dos principais problemas que temos na CM é precisamente a falta de visibilidade sobre o que vem aí; mas olhando para o passado recente, a sensação que tenho é que o Google se tem vindo a focar em problemas diferentes com cada versão, com consequências não muito agradáveis para early adopters. Cada nova versão que aparece, especialmente desde a 2.3, levanta os requisitos mínimos de hardware para um patamar superior, com pouca (ou nenhuma) consideração de compatibilidade com os terminais já presentes no mercado. Nesta altura do campeonato, um terminal Android com 1 ano pode já ser completamente obsoleto, e isso é um sapo um bocado grande para engolir quando gastamos centenas de EUR nesse terminal. Há vantagens, claro: um terminal de hoje a correr 4.0 ou 4.1 é significativamente mais agradável de utilizar (e mais bonito, mas isso é subjectivo) do que um terminal topo de gama com 2.3 há 18 meses atrás. O Google fez um conjunto muito considerável de alterações entre a 2.3 e a 3.2, praticamente todas elas com o objectivo de melhorar a UX (User Experience), e os resultados são mesmo muito bons, mas isso não serve de consolação a quem pagou 500 EUR por um topo de gama no natal passado.

Pelo que estamos a ver da 4.2, parece-me que (para já), essa etapa acabou. O foco parece estar a mudar para melhorar a qualidade (e utilidade) das aplicações integrais ao sistema, algo que já vem tarde, e que a maior parte dos fabricantes, (e a as distribuições aftermarket de Android como CM) tem vindo a endereçar ao longo do tempo. Por exemplo, parece um bocado ridículo dizer que um telefone de 600 EUR não tem uma coisa tão básica como um cronómetro, mas a verdade é que a 4.2 é a primeira versão que o traz de forma integral. Quanto à série 5... suspeito que se vai dedicar mais seriamente à questão da telefonia; o suporte de Android para LTE, CDMA, e serviços opcionais (coisinhas simples como uma notificação de que a chamada que estamos a fazer está em espera do outro lado) ainda é muito pobre, e a precisar de algum "carinho". Alguma da comunicação do Google em relação ao Nexus4 (e a sua falta de suporte para LTE) mostra um nível visível de frustração nesse campo.


androidPT: Hoje em dia algumas marcas de fabricantes de dispositivos móveis têm feito um esforço em se tornarem mais abertas à comunidade que procura a troca de ROMs dos seus terminais. Dentro destas comunidades de utilizadores a CyanogenMod adquiriu uma relevância notável, o que nos podes dizer sobre a interacção das marcas perante a equipa CyanogenMod e sobre o percurso que tem sido feito em termos gerais neste ponto?

Ricardo: A reacção dos fabricantes foi surpreendentemente boa. Tirando um par de excepções, têm mostrado bastante abertura a lidar connosco, alguma cooperação (variante entre eles, mas o que conta é a intenção :) ), e nenhuma da hostilidade que, honestamente, esperávamos por parte deles. Ao fim do dia, estamos a criar-lhes potenciais problemas de suporte (no mínimo, clientes que tentam recuperar um pisa-papéis ao abrigo da garantia), e a longo prazo a diluir os factores de distinção entre eles: se todos os terminais fazem a mesma coisa da mesma maneira, qual é o incentivo para lealdade a uma marca? Apesar disto (ou das preocupações que isto nos pudesse levantar), temos excelente resposta por parte da maior parte dos "grandes", e alguns dos pequenos a entrarem proactivamente em contacto connosco para perceberem em que podem ser úteis. Não podemos pedir mais ... :)






androidPT: É sabido que a Google também dispensa alguma atenção no sentido de ajudar as comunidades open-source no âmbito da plataforma Android. O que nos podes dizer sobre a interacção entre Google e CyanogenMod em geral?

Ricardo: Formalmente, o Google não faz nada disso :) Na prática, há várias pessoas que trabalham no Android e que são bastante acessíveis, tanto para responder perguntas técnicas como para "bater umas bolas" sobre ideias mais abstractas; e acaba por funcionar para os dois lados, também já fomos gentilmente chamados à atenção por coisas que estávamos a fazer (ou a planear fazer) e que por algum motivo não eram... recomendáveis.


androidPT: A primeira questão nas mentes da grande massa de utilizadores da ROM CyangenMod a cada nova versão é usualmente "O meu dispositivo será suportado?". O que nos podes dizer sobre os critérios que têm em conta para suporte de novos dispositivos e para a actualização de dispositivos que já haviam sido suportados oficialmente em versões anteriores?

Ricardo: Novos dispositivos são suportados quando algum de nós os compra, ou quando alguém com esse modelo submete suporte funcional para o mesmo (é assim que crescemos em tamanho. Dos 30 ou 40 novos elementos do último ano, apenas 6 não vieram "atrelados" a novos dispositivos). Se e quando o suporte chega a um ponto em que passar a bateria de testes (CTS, Compatibility Test Suite) de uma determinada versão de Android, é suportado "oficialmente" e são disponibilizadas builds para ele em http://get.cm/.
A actualização de modelos suportados em versões anteriores segue os mesmos critérios: se o maintainer original ainda tiver o modelo em sua posse, e a nova versão ainda for capaz de passar o CTS, continua a ser suportado. Houve algumas excepções em que a(s) pessoa(s) envolvidas num modelo quiseram deixar cair o suporte (normalmente por falta de motivação), mas regra geral mantém-se o suporte enquanto for possível.


androidPT: Muitos utilizadores do fórum gostariam de poder contribuir de volta para a ROM, mas muitos não têm conhecimentos de programação ou simplesmente não fazem ideia de que tipo de contributo poderiam fornecer. Que tipo de competências estão à procura, e como é que um individuo deve fazer para contribuir para a CyanogenMod?

Ricardo: De tudo... gráficos (ícones, janelas, temas), som (ringtones novos!), traduções (cada feature nova que aparece acaba por precisar de tradução), documentação (o nosso wiki precisa de amor!), suporte para novos dispositivos (ver acima. não temos dinheiro infinito para comprar tudo o que está no mercado), bugfixes, etc. Se tropeçarem em qualquer coisa que acham que têm capacidade de corrigir ou melhorar, muito provavelmente podem contribuir isso.






O androidPT deseja deixar um obrigado ao Ricardo Cerqueira pelo tempo despendido com a entrevista.


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